Desenho Textura CoraçãoDevido os avanços dos meios de comunicação e das culturas de massa, a festa do boi acabou ficando restrita a pequenas comunidades em que a tradição é mantida. Mas existem duas exceções, os festejos de São Luís do Maranhão e de Parintins, no Amazonas.

A festa amazonense é a maior de todas, reunindo mais de 50 mil pessoas. Parintins, também conhecida como a Ilha Paraíso, é uma cidade de ruas tranquilas e povo simpático. Mas nos dias que antecedem a festa do Boi de Parintins, a população local chega a dobrar com a chegada e turistas e o lugar se transforma em um enorme palco onde acontece o duelo dos bois.

O Bumba-meu-boi chegou na Amazônia no século XIX por meio dos imigrantes vindos do maranhão para extrair borracha. A festa tradicional sofreu influências indígenas e andinas, ganhando características muito específicas. O boi de Parintins passou a ser chamado de toada amazônica. 

A festa do boi de Parintins acontece desde 1965. É uma apresentação a céu aberto, que ocorre no último fim de semana de junho em uma arena em formato de cabeça de boi, o Bumbódromo. Lá, competem duas agremiações: O Boi Garantido (o coração vermelho) e o Boi Caprichoso (a estrela azul).

A música que embala os três dias de festa são as toadas. Cada agremiação elege uma nova toada todos os anos. É como um samba enredo, que se renova toda competição. Mas o ritmo nada tem a ver com o samba carioca. Os bois dançam ao som de letras e mitos da floresta amazônica que são cantadas e tocadas por mais de 400 ritmistas.

O boi de Parintins surgiu na cidade em 1920. O Boi Garantido, de cor vermelha, foi criado em 1913, pelo garoto Lindolfo Monteverde que, na época, tinha 11 anos. Já seu rival (ou “contrário” como diz a população local) Caprichoso, de cor azul, foi criado um ano depois pelos irmãos cearenses Roque e Antônio Cid e por Furtado Belém.

Os bois "brigavam" nos terreiros em um tom brincante. Aqueles que tinham dinheiro, pagavam para que eles se enfrentassem em frente a suas casas, outros ofereciam refeição em troca de sua presença. A fama do Garantido ainda é grande. Acreditava-se que o Boi Vermelho era seguro, Garantido e saia sempre forte do combate. Diante de tanta força, o boi oposto Caprichava. Outros bois também existiram, mas apenas os dois mantiveram a tradição.

Os bois surgiram cedo, mas a festa só foi começar mesmo em 1965, quando um grupo de amigos observou que as cantigas, as quadrilhas e as tradições folclóricas da região estavam acabando. Lucenor Barros, Xisto Pereira e Raimundo Muniz criaram o festival que, a princípio, visava as quadrilhas. Eram 10 dias de festejos, o que chamou muita atenção dos grupos de quadrilha. O boi, na verdade, só entrava no encerramento da comemoração e, mesmo assim, com muito cuidado para que não houvesse agitação entre as agremiações.

Vale ressaltar que tudo isso era feito a duras penas. Os organizadores faziam tudo sem fins lucrativos. Mas as quadrilhas não reinaram por muito tempo. Já no terceiro ano de festejos, a cidade demonstrava sua dualidade e era possível sentir quem estava do lado Caprichoso e quem estava do lado Garantido. Exigiram arquibancadas diferentes e tudo mudou, surgindo uma verdadeira competição.

A festa tornou-se muito popular, trazendo turistas de todo o país e também do exterior. As alegorias com a influência de carnavalescos maranhenses como Joãozinho Trinta, ficaram mais sofisticadas.

A rivalidade dos bois sempre existiu e ainda se mantém. Hoje, com muita cordialidade, as duas torcidas se dividem nas arquibancadas que são pintadas de vermelho e azul. O mais legal é que mesmo com tamanha disputa, há muito respeito. Tanto que a torcida adversária nunca vaia e nem se manifesta durante as 3 horas que seu opositor se apresenta. Os brincantes se manifestam apenas quando sua agremiação está no palco. Batendo palmas, soltando foguetes e cantando junto a toada. E canta forte, já que a animação da torcida também conta pontos na avaliação final.

Há aqueles personagens de destaque no folguedo de Parintins.

  • Apresentador- Ele apresenta, narra e anima a noite de festa;
  • Levantador de Toadas- Canta as poesias e conduz as toadas. Ele também precisa representar;
  • Amo do Boi- Representa o dono do boi, cantando versos da cultura amazônica;
  • Rainha do Folclore – Representa o folclore da região e a mistura cultural. Ela é a rainha da festa;
  • Porta Estandarte – Essa índia guerreira traz nas mãos o estandarte da sua agremiação;
  • Cunhã Poranga – Bela mulher da aldeia. Apresenta sobre lendas amazônicas e rituais indígenas;
  • Pajé – Feiticeiro e curandeiro da tribo;
  • Miolo ou tripa do boi - Aquele que veste o boi, que faz todos os movimentos;
  • Sinhazinha da Fazenda – Filha do dono da fazenda. Precisa ter graça, beleza, ser alegre e simples.